segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Radar campeão de multa fica em Mauá

O trecho da Avenida Oscar Niemeyer, próximo à Avenida Ayrton Senna da Silva, no Jardim Oratório, em Mauá, conhecido popularmente como Complexo Jacu Pêssego, é responsável por abrigar o radar campeão de multas do Grande ABC. Apenas no primeiro semestre deste ano, 15.461 infrações foram flagradas pelo equipamento móvel, o equivalente a 84 multas por dia. A maior parte das ocorrências foi em razão do excesso de velocidade – o limite é de 70 km/h.
Os dados fazem parte de levantamento realizado pelo Diário junto às prefeituras. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não retornaram aos questionamentos. Diadema, que no ano passado foi responsável pelo radar com maior número de multas, se negou a enviar os dados.
Instalado próximo à saída da Avenida Ayrton Senna da Silva, sentido São Paulo/Mauá, o radar móvel da Avenida Oscar Niemeyer é alvo de constantes reclamações por parte dos motoristas que trafegam pela via. “Moro ali perto e sou prova viva de que esse radar só tem o intuito de arrecadar. É um trecho de descida, em que é quase impossível de as pessoas andarem a 70 km/h. Além disso, é muito inseguro para os carros circularem devagar”, desabafa o ajudante de pedreiro Rubens Rena dos Santos, 47 anos.
Não bastasse possuir o radar campeão de multas, a Avenida Oscar Niemeyer também é responsável por abrigar o segundo equipamento com maior número de infrações na região.
Também localizado próximo à Avenida Ayrton Senna da Silva, só que no sentido Mauá/São Paulo, o outro radar aplicou, no primeiro semestre deste ano, 11.141 multas. “Sinceramente, não me surpreende muito. Não tem nenhuma sinalização avisando desses radares, mesmo eles estando quase todos os dias aqui”, relata a auxiliar contábil Fernanda Bonfim Marques, 26.
O ranking de multas ainda conta um detector móvel localizado na Avenida Artur de Queirós, altura do número 763, sentido bairro/Centro, em Santo André, com 10.621 infrações contabilizadas entre janeiro e junho deste ano (confira abaixo ranking com os cinco equipamentos que mais atuaram no Grande ABC).
TRANSPARÊNCIA - Mais do que criticar a má sinalização dos radares campeões de infrações, considerados ‘pegadinha’, motoristas da região criticam a ausência de transparência em relação ao destino dos valores arrecadados pela ‘indústria da multa’.
“Do que adianta multarem, sendo que ainda continuamos tendo diversos assaltos aqui na Jacu Pêssego por falta de muros mais altos”, afirma o caminhoneiro Humberto Martins, 53.
Na avaliação de especialistas, a suspeita de motoristas em relação ao destino da verba arrecadada com multas é plausível. “Falta uma certa transparência na caixa-preta das multas. É preciso criar um sistema para que todo usuário que leve uma infração tenha acesso para onde a arrecadação daquela multa foi aplicada. Dessa forma, as pessoas não irão mais questionar a tal indústria da multa”, avalia o professor de Engenharia da FEI (Fundação Educacional Inaciana) Creso Peixoto, especialista em transportes.
Além de concordar com a questão, o professor Luiz Vicente de Mello Filho, especialista em Mobilidade Urbana e Gestão Ambiental da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também criticou o alto índice de multas apontado pelo levantamento. “Mais do que mostrar a infração cometida pelos motoristas, um número alto de multas mostra que a Prefeitura não está sendo eficaz em suas ações de prevenção”, pontua.

Número de infrações tem alta de 6%
De janeiro a junho deste ano, radares espalhados por quatro municípios do Grande ABC foram responsáveis pela aplicação de 629.744 multas. O número representa aumento de 6,06% quando comparado com as 593.760 autuações registradas no mesmo período de 2015 – foram excluídas da conta as atuações registradas em Diadema, que não forneceu dados de 2016.
Na somatória total dos valores, Santo André, São Bernardo e Mauá arrecadaram juntas mais de R$ 45,9 milhões com as multas aplicadas no primeiro semestre de 2016. São Caetano só forneceu o número de infrações, sem especificar quantia angariada.
Na análise de especialistas, o aumento do número de infrações deixa evidente a ineficiência do sistema de punição. “O que se nota é que mesmo com o aumento dos valores das multas, as infrações seguem em alta. Isso mostra que, na prática, os motoristas não se sentem intimidados com a atual fiscalização feita pelo País. É preciso rever esse sistema”, avalia o professor de Engenharia da FEI (Fundação Educacional Inaciana) Creso Peixoto, especialista em transportes.
Na avaliação do professor, além de dar mais transparência ao destino dos valores arrecadados, é necessário colocar em pauta a questão da Segurança no sistema viário. “Hoje muito se fala em Mobilidade, quando é necessário, antes de tudo, retornar às ações que visam a segurança dos motoristas. Esse é um ponto que foi deixado de lado e precisa ser discutido”.
Para o professor Luiz Vicente de Mello Filho, especialista em Mobilidade Urbana e Gestão Ambiental da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a solução também engloba outros pontos. “O ideal seria que o governo colocasse na grade curricular infantil a questão da Mobilidade”, afirma.
Na avaliação de Mello, a aplicação de multas está estagnada. “O cenário atual mostra que só aplicar multa não tem melhorado a conscientização do motorista, muito menos intensificar os valores das infrações. É preciso se repensar na segurança do sistema”, avalia.
NÚMEROS - Campeão no valor arrecadado com multas, um total de R$ 21 milhões no primeiro semestre deste ano, São Bernardo foi o único município que apresentou alta na quantidade de infrações. De janeiro a junho de 2016 foram 629.744 contra 593.760 no mesmo período do ano passado, portanto, aumento de 31%.
Santo André, que aparece na segunda colocação, com um total de 183.090 multas aplicadas no primeiro semestre, arrecadou, no período, R$ 14 milhões.
Na sequência aparece Mauá, com 139.364 multas e arrecadação de R$ 10 milhões. São Caetano, que não informou o valor arrecadado, contabilizou, no primeiro semestre 39.638 multas.
Assim como ocorreu no ano passado, mais uma vez transitar em velocidade superior à máxima permitida em até 20% e avançar o sinal vermelho seguem sendo as infrações mais comuns flagradas por radares do Grande ABC.
Via DGABC

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